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Os 30 dias Druídicos: Elementos

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30 Dias Druídicos : Dia 5 - Elementos << Anterior : Dia 4 >> Próximo : Dia 6 Foto - Liam Eoghan - Santuário Ecológico de Pipa/RN Em uma concepção druídica, existimos em Três Reinos Sagrados, como já falado.  O Druidismo moderno, assim como outras religiosidades contemporâneas, também busca explicar a realidade em sua composição, assim como os físicos estudam o átomo, para compreender a realidade a partir dos fenômenos.  Algumas vertentes druídicas atuais compartilham com outras religiosidades questões herméticas, herdadas da Grécia, como o estudo dos 4 elementos: terra, água, fogo e ar. Me isento aqui de mergulhar profundamente nos autores e Ordens que trabalham o hermetismo. São conhecimentos fortes, conectivos com o natural e com aprendizados de magia desenvolvidos em sendas por onde não trilhei, mas, não é fácil criar uma referência entre celtas e hermetismo, por mais que muitos tentem fazê-lo. Na prática e gnose atual, quem cruza este caminho consegue des...

Os 30 Dias Druídicos: Três Reinos

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30 Dias Druídicos : Dia 4 - Três Reinos << Anterior : Dia 3 >> Próximo : Dia 5 O Triskle - Foto: Liam Eoghan No druidismo moderno temos a compreensão tríplice da existência. Mas isso não apareceu de modo aleatório. Mitos, e até referências de historiadores antigos sobre os povos célticos, revelavam orações, frases, juramentos, em que os três reinos se evidenciavam. No Livro o Bosque dos Druidas : entendendo as raízes 1 , volume II, a autora Alyne Castro faz referência a uma oração do livro Carmina Gadelica, escrito pelo cobrador de impostos Alexander Carmichael no século XIX, enquanto este trabalhava nas Highlands escocesas. Ele ficou fascinado com as crenças e práticas da comunidade rural, que tinham reflexo nas origenas gaélicas ancestrais, remetendo a tradições imemoriais destes povos. Vou transcrevê-la, com a tradução disponível no livro: Terra, Mar e Céu Neart mara dhuit, Neart talamh dhuit, Neart nëimhe. Mathas mara dhuit, Mathas talamh dhuit,  Mathas nëimhe...

Os 30 Dias Druídicos: Terra e Natureza

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 30 Dias Druídicos: Dia 3 - Terra e Natureza << Anterior: Dia 2 | >> Próximo : Dia 4 Foto de Vitória Matos - Pexels Eu narrei minha história, de como cheguei ao Druidismo no Dia 1 desta jornada. Contei sobre como eu não me encaixava nas religiosidades vigentes, justamente porque não conseguia conceber uma narrativa de sofrimento como razão cósmica de algo. Falei de quando eu era criança e amava a natureza, mas não conseguia ver as religiosidades apresentadas a mim como algo ao qual eu pertencia. No texto anterior, falo da Cosmologia, em uma provocação ao leitor para não limitar sua visão a apenas enxergar a relação entre Deuses e Natureza através dos mitos existentes (ou fragmentos sobreviventes), mas também por meio de uma conexão ancestral com a natureza no agora, sem ficar preso ao fato de os celtas não possuírem um aparente mito da criação. Os mitos que temos remontam à união entre homem, paisagem e divindades — seres que habitam a natureza — sem necessariamente ...

Os 30 dias druídicos: Cosmologia

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30 Dias Druídicos:  Dia 2 - Cosmologia << Anterior: Dia 1 | >> Próximo : Dia 3 De acordo com o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, Cosmologia 1 é a "Ciência das leis que regem o universo."Quando estudamos a mitologia de povos antigos, buscamos compreender como essas etnias buscavam definir a existência, tentando, de algum modo, interpretar como eles compreendiam sua realidade, a origem da vida, e como as coisas funcionavam na natureza. Foto de Gabriel Grip - Pexels Uma breve explanação sobre os celtas e os druidas O Druidismo moderno têm inspiração nos antigos Druidas 2 , que eram vistos para além de sacerdotes nos povos que hoje definimos como celtas. Digo "além de sacerdotes" porque autores antigos, como Diógenes Laércio (século III EC), Clemente de Alexandria ( ca . 150-215 EC), entre outros, se referiam a eles como sábios (filósofos). Presentes entre as diversas sociedades nomeadas como célticas, eram homens que "dominavam técnicas mági...

Os 30 dias druídicos: Por que Druidismo?

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30 Dias Druídicos: Dia 1 - Por que Druidismo? >> Próximo: Dia 2 - Cosmologia Foto: Adrielle Moretti É difícil dizer que eu tive um momento de decisão e do nada, eu disse: "eu escolho o Druidismo". Eu vivi em uma família que se dizia católica, não tanto praticante.  Eu estranhava, em minha infância, as imagens de um Cristo agonizante, sangrando, tal como eu via no altar de algumas tias. De menino, eu estranhava a necessidade de penitência, do arrependimento tão necessário como ouvia de parentes apegados a sua fé. Lembro da criança que eu era, incomodada com os momentos alegres, familiares, interrompidos para rezar ou orar. Certa feita, eu ainda criança, disse a minha mãe algo como "não creio em Deus, não sei como ter fé".  Minha mãe não foi nada recriminativa. Ela disse algo semelhante a " Deus é a natureza, você o vê nela. Olha as árvores, o céu, os pássaros, as flores ." Naquele momento, o discurso materno me satisfez completamente. Para a criança...

A arte oracular: a voz que experencia a integração da consciência

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Foto de Jonathan Borba - Pexels - Vista Costeira Da Calçada Dos Gigantes Na Irlanda Do Norte Diversas culturas do mundo recorrem a atividade do vaticínio para tentar desvendar, predizer ou absorver respostas para as diversas questões da vida. Apresentar menções históricas e culturais, sobre como eles foram aplicados durante a história do mundo seria uma árdua e acadêmica tarefa, mas, como desejo apenas divagar sobre o que sinto e o que já experenciei sobre o assunto, com o simples objetivo de  dividir com meus seguidores, me abstenho por hora, de me obrigar a tal. O que você pensa quando ouve falar em oráculos? Para muitos, a referência é o tarot, o jogo de búzios, as runas, o popularmente conhecido baralho cigano - também chamado de petit lenornand. Alguns jogos de oráculos são mais corriqueiros, outros integrados mais a uma espiritualidade prática e profunda. Na minha experiência pessoal, o Ogham, alfabeto gaélico irlandês adaptado a árvores, impactou a minha vida com muitas tran...

A Natureza sussurra poesia. O eco de vida ou morte na voz dos antigos bardos.

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Foto:  Arina Krasnikova - Pexels Texto de Apresentação para o Orgulho Pagão realizado em 18/10/2025* Essa tarde, sem nos limitarmos a uma ordem cronológica, vamos mergulhar profundamente na ancestralidade de povos que hoje chamamos de celtas, mais definitivamente, nas narrativas da Ilha Esmeralda, a Irlanda, com atenção aos ecos, sussuros e canções que permeiam a história ancestral desta sagrada terra. O nome gaélico da Irlanda é Eireann em sua forma genitiva de Éire. De acordo com o Livro das Invasões da Irlanda (Lebor Gabála Érenn) 1 , um compêndio de manuscritos que narram a história mítica da ilha, o nome do território foi um pedido da soberana deusa Ériu aos conquistadores, vindos da Hispania, que puderam vencer em combate os moradores divinos, não sem antes uma canção poderosa, feita pelo druida Armegin, apaziguar a magia evocada pelo poderoso povo das Tuatha de Dannan. Os conquistadores atenderam com honra o pedido da deusa. Então, após a nomeação da Ilha, os Dannan partiram...